Fusão de cooperativas triplica faturamento

A Cooperativa Nova Aliança é fruto da intercooperação. Ela surge, em 2011, juntando a força, a experiência e a solidez de uma história de mais de 80 anos de cinco tradicionais cooperativas vitivinícolas da região serrana do Rio Grande do Sul: Cooperativa Aliança e Cooperativa São Victor, de Caxias do Sul, a Cooperativa São Pedro e a Cooperativa Santo Antônio, de Flores da Cunha, e a Cooperativa Linha Jacinto, de Farroupilha.

O presidente da Nova Aliança, Alceu Dalle Molle, comemora os resultados financeiros desta união: “Faturávamos R$ 50 milhões em 2011 e hoje faturamos R$ 180 milhões”. Alceu Dalle Molle explica a lógica do projeto. “Todas tinham problemas em comum: precisavam de inovação, de tecnologia. Elas iriam de alguma forma fazer esses investimentos de forma individual. Então, unimos esforços e fizemos uma aplicação só, que é uma planta industrial com capacidade para processar 28 mil toneladas de uva por safra. O investimento totaliza R$ 83,4 milhões. Se tivéssemos feito de maneira individual, teríamos aplicado valores pífios e ainda estaríamos concorrendo entre nós.”

A planta industrial é a mais moderna e eficiente da América Latina no segmento produção de suco. Com 900 associados e 250 empregados, a Nova Aliança cresce 20%, em média, ao ano. Segunda cooperativa em volume de produção no setor vinícola, a Nova Aliança recebe 40 milhões de quilos de uva por safra, um aumento de 30% desde 2011. Quem ganha com tudo isso são os associados: segurança do destino da produção e retorno financeiro garantido. “Também realizamos a compra coletiva de insumos e contratamos agrônomos que dão o suporte técnico aos agricultores”, aponta Alceu Dalle Molle.

Leandro Tonello é associado da Nova Aliança. O agricultor ressalta os benefícios econômicos, mas destaca outro aspecto: “Ver o consumidor escolher o nosso produto na prateleira em meio a tantas opções dá um orgulho”, revela. Leandro é da quarta geração da família Tonello, de Nova Pádua, que tem o cooperativismo no sangue. Tudo começou com o seu bisavô, Humberto, que foi um dos fundadores da Cooperativa Santo Antônio. Depois vieram o avô, José, e o pai, Amarildo.

São 109 anos de história trabalhando a terra e se sustentando por meio do cultivo da uva. “Quero passar esse amor ao cooperativismo para o meu filho Leonardo, de cinco meses”, espera Leandro Tonello. Nos próximos anos, o foco da Nova Aliança é conquistar novos mercados. Esse crescimento virá na esteira da força do cooperativismo, conforme Alceu Dalle Molle. “Dá pra buscar uma penetração maior no Sul e buscar outras regiões do Brasil. O cooperativismo tem um potencial enorme de crescimento. É o modelo perfeito não só pra agricultura familiar. Ele gera emprego, distribui renda e esse dinheiro fica no local onde as pessoas moram”, finaliza.